Anca

Marcação

Como funciona a Anca?

A anca é uma articulação que atua como um rolamento de esferas, permitindo rodar em direcções diferentes e ao mesmo tempo apoiar o corpo. A extremidade superior do osso da coxa (fémur) é uma esfera, que se encaixa numa tomada - Cartilagem (uma camada de tecido macio suave) que cobre a bola e linhas do soquete, e permite que a bola mover-se facilmente na tomada.

Dicas para articulações saudáveis

  • Uma das melhores maneiras de evitar ou reduzir o desconforto comum é perder o excesso de peso corporal. Menos peso é igual a menos stress sobre as  articulações.
  • Certifique-se que ingere as quantidades adequadas de vitamina C e cálcio. A vitamina C é necessária para a formação de colagénio, que suporta o tecido articular. O cálcio ajuda a construir ossos fortes, o que reduz o stress nas      articulações.
  • Alongamento e fortalecimento das actividades pode ajudar a manter a sua amplitude de movimento, construir músculos e promover a flexibilidade. Algumas actividades a serem considerados incluem jardinagem, caminhada, ciclismo e  natação. Converse com seu médico sobre quais exercícios são adequados para  si.
  • Mantenha-se em movimento. Sentado ou em pé o dia todo pode causar rigidez articular. Quando possível, alternam entre estas duas posições, de preferência a cada 30 minutos.
  • Lembre-se de  aquecer e alongar cada vez que faz exercício para evitar lesões e promover a flexibilidade.
  • Exercício em grupo. É motivador, é social e aumenta a auto-estima.

Coxoartrose/artrose da anca

Coxartrose é a nomenclatura que se atribui à artrose da anca (articulação coxofemoral). Esta articulação é formada pela cabeça do fémur, que roda no acetábulo, sendo este último composto pelos ossos da bacia. Ambos, cabeça do fémur e acetábulo são cobertos por uma camada de cartilagem com aproximadamente 3mm de espessura.

Existe, muitas vezes, confusão entre dois termos muito semelhantes, mas que transmitem patologias distintas: artrite reumatóide e artrose. Assim, artrite reumatóide tende a afectar simetricamente pequenas articulações, essencialmente em mulheres jovens. Já a artrose, afecta grandes articulações de carga (joelho e anca), embora o tornozelo também possa ser afectado. A sua incidência é maior em idosos.

A coxartrose é uma das patologias mais frequentes e incapacitantes do sistema esquelético. É mais vulgar nos ocidentais e quase inexistente entre os asiáticos. A razão para esta diferença está nos hábitos posturais de cada povo. Esta temática tem sido vindo a ser estudada desde 1973, ano em que um grupo de investigadores percebe que o hábito ancestral de se sentarem directamente no chão (as nádegas junto aos calcanhares, utilizando a flexão máxima possível das ancas e joelhos), faz com que os asiáticos não apresentem artroses quer da anca, quer do joelho.

Sintomas

1 – Dor

Inicialmente é uma dor esbatida, de baixa intensidade, mas que se agrava com o progresso da artrose. Sente-se na virilha e irradia pela coxa, sendo que muitas vezes se fixa no joelho. É uma dor que tem o seu grau máximo quando se inicia a marcha (ao levantar de uma cadeira, por exemplo), embora possa aparecer durante o repouso, o que muitas vezes perturba o sono.

2 – Perda de Mobilidade da Anca

Esta perda de mobilidade está relacionada com a formação de osteófitos (pequenas formações ósseas) nas superfícies articulares, o que leva à alteração da sua forma e relação.

A perda de qualidade de vida é uma realidade, já que movimentos como calçar uma meia (implica flexão da anca), um sapato ou mesmo cortar as unhas ficam limitados e muitas vezes deixam mesmo de poder ser executados.

O acto sexual é também afectado, pois esta perda de mobilidade não deixa que o indivíduo execute a abdução (afastamento) dos membros inferiores.

À medida que a doença vai progredindo, a deformidade (associada à imobilidade) é irredutível e acontece em flexão, adução e rotação externa:

a) Flexão: a dificuldade na flexão leva a que o indivíduo, muitas vezes, desenvolva patologias de coluna;

b) Adução: o individuo perda capacidade de abdução (movimento contrário ao movimento de adução), o que leva a que o membro sofra um    encurtamento,   

c) Rotação Externa: as duas alterações anteriores levam a que o indivíduo, no sentido de compensar essencialmente a dificuldade na abdução, caminhe mantendo o pé “virado para fora”.

3 – Marcha Claudicante

Vulgo “mancar” e advém da perda de mobilidade da anca, associada a uma posição anti-álgica, ou seja, que diminua a dor.

O diagnóstico faz-se através da associação entre o exame clínico e as imagens radiográficas.

O exame clínico debruça-se sobre a análise do historial do doente, colocação de questões a respeito da presença de sintomas e a execução de alguns movimentos específicos para determinar quais as suas reais limitações.

Radiologicamente, o médico vai procurar a presença de osteófitos, entre outras possíveis alterações articulares.

José Carlos Vilarinho, Dr.

Anca / Coordenador

Alfena

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